LITERATURA
Um vale, uma história


Gláucia Lima Maciel
Estudante do 8º período do curso
de Pedagogia e moradora do “FEMININO”


Quem não sabe sorrir e chora por motivos tantos?
O sol quente e fluente
Solo árido, rios termitentes
Um sertão de espíritos
Perdidos na singeleza que encanta
Quem vive no Vale
Aprende a fazer tudo valer a pena
Calejados de corpo e alma
Sustentam a ignorança real
De sonhos intocáveis
Povo que colhe dia-a-dia
Algo inenarrável como a simplicidade
Marcada pela singularidade
Dos seus atos, costumes e crenças
A fé eleva o povo do Vale
Vale sorrir,
Vale chorar, Vale cantar...
Vale do Jequitinhonha
Vale ser tão de Minas,
Ser Pedra Azul, Itaobim, Diamantina
Revelar-se Minas Novas, Itamarandiba, Turmalina...
Contrastes efêmeros,
Vislumbrados em realidades concretas...


Escrito por Redação às 19h34
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DESALOJAMENTO
Um mal ainda necessário


Vagner Ribeiro


Um fato que causou estranhamento aos moradores dos alojamentos foi a forma de estadia dos estudantes que se alojaram na universidade no ultimo período de férias. A locação que era usualmente feita se dava da mesma forma em todos os apartamentos, sendo que os moradores que tinham permissão para ficar, se alojavam no “VELHO”. Entretanto nesse período, alguns apartamentos, não só no “VELHO” mas também em todos os outros alojamentos foram ocupados por esses estudantes. O Pró-reitor de Assuntos Comunitários Luciano Esteves Peluzio, justificou essa mudança argumentando que os próprios residentes ajudam na vigilância dos prédios.

Esse fato reascendeu a discussão sobre os critérios adotados pela Pró-reitoria quanto aos aluguéis dos apartamentos, já que em todo final do período, os moradores são obrigados a retirar todos os seus pertences para que os apartamentos sejam alugados, mesmo que não haja procura.

Os moradores reclamam do transtorno de terem que fazer praticamente uma mudança por semestre. Além disso, alguns estudantes sem condições financeiras de voltar para casa ficam impedidos de permanecer nos locais onde moram. Outro foco de questionamento é a não conversão do dinheiro arrecadado apenas para os apartamentos que foram alugados e, também, o sumiço eventual de objetos deixados nos apartamentos.

Apesar disso, alguns dos residentes acreditam na importância do dinheiro arrecadado para os próprios estudantes. “A época de formatura é um exemplo de quando os estudantes usufruem o benefício de morar nos alojamentos”, garante o estudante de Engenharia de Agrimensura, Daniel Rossi Altoé, morador do “PÓS”, sobre a forma privilegiada de aluguel que têm os formandos moradores. Eles têm a preferência na escolha para a locação dos quartos onde moraram durante a vida acadêmica e de fazê-lo por um preço menor do que os demais estudantes.

Peluzio afirma que o di-nheiro arrecadado com o aluguel dos apartamentos é usado integralmente para ajudar a manter as estruturas dos seis prédios existentes. “A Pró-Reitoria reconhece o incômodo causado aos moradores, mas não há outra forma de arrecadação de dinheiro e nem de alojar os visitantes que se encontram em Viçosa, pois a cidade ainda não oferece esta estrutura a um preço acessível”, assegura Peluzio. O dinheiro arrecadado, além de ser usado em obras de manutenção, está sendo aplicado na construção de salas de informática nos alojamentos.

Se usado com responsa-bilidade, a fonte geradora de renda pode resolver muitos problemas. O que cabe a cada um é fiscalizar a implementação da verba e solicitar um orçamento participativo da administração com os residentes, para que os moradores decidam onde e em quê gastar o recurso.


Escrito por Redação às 19h30
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REPÚBLICAS
Vivendo na corda bamba


Priscilla Almeida


Foto: Arquivo Pessoal
Moradoras e amigos da República “As Flageladinhas”


A república “As Flageladinhas” está situada no “VELHO” e foi criada pelas moradoras do quarto 1012 (leia-se dez-doze), no final de 2003. A sua concepção veio da idéia das moradoras Maria Fernanda Costa, Sílvia Fernandes de Assis, Sueli de Souza e Adriana Oliveira de dar uma personalidade para o quarto.

Atualmente, somente Adriana mora na república, junto com a caloura de Gestão do Agronegócio, Fabiana de Paula, a mais nova “flageladinha”. As outras três primeiras formaram-se em maio último mas, nem por isso, deixam de manter contato ou de visitar a república na qual criaram grandes amizades e passaram por muitas experiências.

O nome “As Flageladinhas” surgiu quando as estudantes perceberam que viviam rindo delas mesmas porque sempre pediam coisas emprestadas para as vizinhas de outros quartos. “Vivíamos na corda bamba e passando aperto”, comenta, entre risos, Adriana. Entretanto, a criação da república só ocorreu depois que as moradoras do dez-doze tinham muita afinidade umas com as outras e também muita liberdade. “A gente achou que não éramos só pessoas que moravam juntas, a gente era meio que uma segunda família”, afirma Adriana, que pretende se formar em Pedagogia em fevereiro de 2007. Para ela, caso haja mudança de quarto, a idéia é que “As Flageladinhas” continue a existir.

Regidas sobre as mesmas regras dos outros moradores de alojamento, a república só pôde realizar duas festas, ainda assim com horário controlado. Nestas e em outras situações, aconteceram muitas histórias engraçadas, geralmente ligadas à culinária e à pouca experiência na cozinha de algumas das moradoras.

A estrutura do “VELHO” tem favorecido a convivência na república, uma vez que a parede divisória existente no quarto possibilita que uma moradora estude, enquanto a outra durma, converse ou assista televisão. E, devido à criação da república entre alguns moradores de outros alojamentos e amigos, as moradoras do dez-doze chegaram a “perder” o próprio nome, sendo identificadas carinhosamente apenas por “flagelada”.


Escrito por Redação às 19h27
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Vários mundos em um mesmo quarto de alojamento


Grasiela Gomide de Souza
Psicóloga do Serviço Psicossocial/UFV
gragomide@ufv.br • 3899-1675


Pensar em relacionamento humano é pensar em algo muito presente em nosso cotidiano, em algo que nos acompanha em qualquer área da nossa vida. Cada pessoa é um ser único, constituindo com referenciais próprios o seu íntimo e filtrando a realidade de uma forma peculiar. Podemos até perceber quais são os sentimentos de uma pessoa, mas não podemos sentir exatamente como ela sente. Como diz Caetano Veloso: “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”.

Mesmo percebendo o mundo de uma forma única, encontramos outras pessoas pela vida. Imagina quantos mundos existem dentro de um mesmo quarto de alojamento; cada um com seu filtro, com seus valores e projetos. E o nó de muitos relacionamentos é que esperamos que o outro sinta ou haja da mesma maneira que nós. Ficamos presos ao nosso mundo e não percebemos ou não aceitamos o mundo do outro. E, muitas vezes, a relação torna-se rígida, em que esperamos que o outro corresponda às nossas expectativas plenamente. E quantas vezes ainda esperamos que a outra pessoa adivinhe as nossas expectativas. E ficamos apenas com os nossos poderosos pensamentos que dão asas à imaginação...

E essas diferenças podem aparecer de diversas maneiras em um relacionamento. Há aqueles que não aceitam as suas próprias diferenças e buscam sempre corresponder às expectativas alheias; estão a mercê do outro e perdem todo o seu espaço. Já tem pessoas que acreditam que os seus critérios são os referenciais do mundo e invadem o espaço alheio sem um mínimo de cerimônia.

Se realmente você entende que o outro é diferente de você, que ele assim como você também tem o mundo dele, então, é possível tratar os conflitos nas suas devidas proporções e tirar proveito deles. Se me permito expressar os meus anseios e se permito que o outro também se expresse, da sua forma, torna-se mais possível dar novos laços nessa relação e um ir em direção ao outro. E acredito que nada melhor do que um quarto de alojamento para o encontro desses mundos, não é?


Escrito por Redação às 19h24
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EM FOCO
Alojamento: uma questão de números?


Victor Godoi


Desenho: Victor Godoi


A história dos alojamentos da UFV começa quando essa ainda era a Escola Superior de Agricultura e Veterinária (ESAV). O campus era, então, composto basicamente por galpões, plantações, e pelos edifícios Arthur Bernardes, onde ficavam a administração e as salas de aula, e Bello Lisboa (“VELHO”), que consistia em alojamento para 112 moradores e refeitório. Em 1928 a ESAV possuía 12 estudantes na graduação, além de outros em cursos técnicos profissionalizantes (Dados da Pró-Reitoria de Planejamento e Orçamento).

A Escola cresceu, tornando-se, em 1948, a Universidade Rural do Estado de Minas, com número maior de cursos e alunos. Somente em 1963, porém, seria construída a segunda estrutura para alocação de estudantes, desta vez o “FEMININO”, com capacidade para 232 moradoras.

No início da década de 70, a já conceituada Universidade Federal de Viçosa contabilizava 786 estudantes na graduação e 236 na pós. No mesmo período foram inaugurados os prédios do “NOVO” (feminino) e do “NOVÍSSIMO” (masculino), com capacidade para alojar 184 e 192 moradores, respectivamente. A capacidade total de alocação era, então, de 720 pessoas. No entanto, a UFV continuaria crescendo, chegando à década de 80 com 3.972 estudantes na graduação e 554 na pós. O crescimento da área de Pós-Graduação levou à construção dos alojamentos “PÓS” e “POSINHO”, capazes de abrigar, respectivamente, 360 e 180 moradores.

Mas os tempos mudaram. O “Milagre” Econômico fracassou, a Ditadura Militar caiu, e a UFV continuou crescendo, agora sob as asas da democracia. A política para o Ensino Superior passou a ser de crescimento. Tal expansão, sem o devido planejamento, porém, fez com que a UFV chegasse ao quadro em que nos encontramos: em 2006, somos 9.384 estudantes de graduação e 1.921 de pós-graduação, enquanto são oferecidas 1.382 vagas nos alojamentos.

A representante da CMA, Sandra Gonçalves Costa, salienta que apesar das atuais manifestações contra o “inchaço” da UFV, o Movimento Estudantil concorda que a expansão das universidades públicas é necessária, “mas desde que haja ampliação da estrutura da universidade, o que não ocorre. Isso se reflete nos alojamentos. Por exemplo, não foram construídos mais alojamentos, e no “FEMININO”, o quarto que antes era para quatro pessoas passou a ser para cinco, limitando cada vez mais o espaço”. Para Sandra, a expansão deveria ocorrer a partir do momento que a Administração da UFV tivesse a Assistência Estudantil como prioridade, com a criação do Fundo que arrecadaria verbas para esta área.

O Pró-Reitor de Assuntos Comunitários, Luciano Peluzio, discorda e afirma que a Assistência Estudantil é sim uma prioridade na atual Administração. E aponta frutos da atual política de investimentos, como a aquisição de 550 novos colchões pela DAE, a reforma do “POSINHO”, a construção de uma nova estrutura para alimentação (no espaço Multiuso) e a ampliação do atendimento na Divisão de Saúde. Para o Pró-Reitor, pode-se resumir a situação da UFV em números: “Basta comparar numericamente com a UFMG, por exemplo. Ela é cerca de quatro vezes maior que a UFV, e atende a cerca de 300 estudantes nos alojamentos. Nós fazemos quase cinco vezes mais que isso”.

Todas as partes parecem concordar, porém, em um ponto: antes da construção de novos alojamentos é necessária a reforma das atuais estruturas. Exceto pelo “FEMININO”, que passou por uma reforma no ano passado, há mais de 30 anos que não é feita uma reforma adequada nos alojamentos. A política da Pró-Reitoria é de reestruturação do que já existe. “De imediato, é o que podemos fazer com nossos recursos. Concluídas as reformas, poderemos falar em ampliação. Talvez até em um futuro próximo. A UFV sempre fez, faz e continuará fazendo Assistência Estudantil. É política da UFV. É determinação. É história”, conclui Peluzio.


Escrito por Redação às 19h21
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COLETA SELETIVA
Reciclagem como fonte de auxílio a
servidores e estudantes da UFV


Daniel Aroni


Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a quantidade média de lixo produzida diariamente no país é de 0,6 kg por pessoa, totalizando um volume nacional de aproximadamente 110 mil toneladas diárias. Deste montante, apenas 2% é coletado seletivamente para reciclagem, cabendo a poucos projetos ou instituições o desempenho de tal função. Na Universidade Federal de Viçosa, é o “Projeto Reciclar”, da Associação Beneficente de Auxílio a Funcionários e Estudantes da UFV (ASBEN), que realiza desde 1995 a coleta seletiva no campus.

Foto: Elaine NascimentoFundada no ano de 1986, a ASBEN, por meio de contribuições, doações e do “Projeto Reciclar”, recolhe recursos em prol da comunidade acadêmica. Os benefícios oferecidos pela Associação consistem na concessão de descontos em consultas médicas, odontológicas, em farmácias, óticas, laboratórios de análises, entre outros.

Contudo, o vice-presidente da instituição, José Antônio Rezende Pereira, garante que o auxílio prestado aos associados poderia ser maior, já que o “Projeto Reciclar/ASBEN” não recolhe nem um terço do lixo reciclável da UFV. Ele explica que a forma de separação do lixo praticada por servidores e moradores de alojamento é incorreta, pois se mistura, em um mesmo saco plástico, materiais orgânicos (restos de comida, varreduras, papéis molhados) com inorgânicos (vidro, metais, papel e plástico), dificultando o trabalho dos caminhões de coleta na identificação do que pode ser reciclado. Outro problema apontado pelo vice-presidente é a falta de mobilização do Serviço de Vigilância do campus para barrar a ação de catadores não autorizados. “A Vigilância não toma nenhuma providência. Estou cansado de fazer denúncia.” reclama.

O vice-presidente da Associação diz que uma forma existente de organizar a separação dos materiais é dividi-los em sacos plásticos de cores diferentes. Sacos plásticos pretos seriam para acomodar o lixo orgânico, e os brancos ou azuis para os materiais recicláveis. Segundo a ASBEN, mesmo podendo requisitar esses sacos plásticos gratuitamente na Diretoria de Material da Universidade, muitos chefes de órgãos da UFV não realizam o pedido.

O ex-Chefe da Divisão de Assistência Estudantil, Jorge Luiz Martins Rezende, diz que desconhece a existência do sistema de sacos plásticos na separação de lixo. Ele destaca que não há coleta seletiva em todos os alojamentos, porque “agora que nós estamos nos conscientizando sobre isso.” Segundo o ex-Chefe, “isso depende também de material, da ASBEN fornecer latões sepa-rados e da conscientização dos alunos.”

A estudante de Agronomia e mora-dora do alojamento “NOVO”, Juliana Maria de Oliveira, gostaria que tivesse, em seu alojamento, um tambor para cada tipo de lixo, além da distribuição de lixeiras nos quartos, a fim de facilitar a separação desses produtos pelas próprias moradoras. O estudante de Ciências da Computação, Francislei Araújo, morador do “NOVÍSSIMO”, afirma que “seria interessante se fosse promovido um trabalho de conscientização e reciclagem, porque, afinal, a gente que está aqui na universidade tem que dar o exemplo.”


Escrito por Redação às 19h16
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MOVIMENTO ESTUDANTIL
Mobilização dos estudantes obtém resultados


Welington Gonzaga


A ocupação da Divisão de Assistência Estudantil (DAE) no final do semestre letivo 2006/1 foi assunto polêmico dentro do campus da UFV. O prédio, onde então trabalhava a chefia da DAE, foi ocupado pelos estudantes entre os dias 23 e 26 de agosto como forma de pressionar a Administração para atender às reivindicações da “Carta de Assitência Estudantil” - um documento elaborado a partir de assembléias nos alojamentos e aprovado em plenária. A ação, legítima e organizada, foi encabeçada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) no contexto da campanha “Inchar não é crescer”.


Foto: Elaine Nascimento
Reunião dos estudantes em frente à DAE


Além do apoio dos moradores de alojamento, a mobilização contou com a participação de estudantes não ligados diretamente à assistência estudantil. “Participar das atividades dentro da universidade faz parte da atuação do estudante enquanto sujeito político dentro da instituição. A assistência estudantil é essencial à todos os estudantes da UFV. Portanto, lutar pela sua melhoria é papel de toda a categoria estudantil”, disse Vivian Neves Fernandes, membro da coordenação geral do DCE. A iniciativa dos universitários conseguiu, dentre outras exigências da Carta enviada à Reitoria, o afastamento do então Chefe da DAE, Jorge Luiz Martins Rezende, de qualquer função ligada à Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários.

Em entrevista ao “Alô!jamento Notícias”, o ex-Chefe da DAE disse que o principal motivo para ter se tornado alvo de críticas dos estudantes foi advertências dadas a alguns moradores. Rezende disse ainda que durante sua administração ocorreram melhorias na assistência estudantil, com destaque à conclusão da reforma do “FEMININO” e à criação das salas de informática com 13 computadores conectados à internet no “VELHO”. Com o afastamento da DAE, Rezende volta para o Departamento de Bioquímica, seu setor de origem.


Foto: Elaine Nascimento
Mobilização é parte da campanha “Inchar não é crescer”, do DCE



NOVO CHEFE • Apesar das decisões terem sido tomadas durante as férias - quando os estudantes não estavam presentes na universidade - a DAE possui, desde 25 de setembro, um novo Chefe. De origem humilde, Sebastião Carlos da Fonseca assume os desafios da função de chefe da DAE estando ciente das dificuldades enfrentadas pela assistência estudantil e, também, do momento delicado pelo qual a chefia anterior passou.

Formado em Administração de Empresas pela UFV em 1992, Sebastião Carlos da Fonseca atuou, de 2003 a 2005, como presidente da Associação dos Servidores Administrativos da UFV (ASAV), ficando conhecido como “Tião da ASAV”. O novo chefe da DAE possui embate político com o Instituto UFV de Seguridade Social (AGROS) e, também, com a Administração devido ao desvio de função. “Alguns comentários na época diziam que (a indicação para o cargo) era um cala a boca porque estava batendo de frente. Era uma forma de dar um cargo para mim e esfriar o movimento. Não é nada disso. Se eu puder utilizar (o cargo) para crescer tanto o sindicato quanto o relacionamento com os estudantes, eu vou usar disso”, disse Sebastião.

Já no início do trabalho, encontrou um quadro de funcionários defasado - com servidores prestes a aposentar e outros em desvio de função. Para reverter esse quadro foram oferecidos cursos de reciclagem para os servidores. Entre os demais planos para sua gestão, pretende uma administração baseada no diálogo, trabalhando em contato com os estudantes e com a Comissão dos Moradores de Alojamento (CMA). “É preciso fortalecer essa comissão que é um órgão de subsídio aos estudantes”, completa ele. Além disso, planeja cursos de informática para ensinar aos moradores de alojamento o manuseio do sistema operacional Linux, utilizado nos laboratórios de informática.


Escrito por Redação às 19h11
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EDITORIAL
A luta continua


Depois de um final de período marcado por reivindicações e uma legítima organização por parte dos estudantes, representados por entidades como o Diretório Central dos Estudantes (DCE), Comissão dos Moradores de Alojamento (CMA), Centros e Diretórios Acadêmicos (CA´s e DA´s), atingimos o primeiro mês de aulas e mudanças consideráveis são efetivadas no tocante à Assistência Estudantil da UFV: a Divisão de Assistência Estudantil (DAE) tem a sua frente um novo chefe. Fato este, que vem atender um dos pontos mais esperados da Carta da Assistência Estudantil - o afastamento do então chefe Jorge Luiz Martins Rezende.

Embora tenham conquistas já consolidadas, outros pontos aprovados pela Reitoria ainda precisam ser implementados: a paridade da comissão que estudará o regimento dos alojamentos; a instituição de uma comissão paritária que irá elaborar um projeto político de moradia estudantil e a instituição de um conselho gestor para atuar, em caráter assessor, junto à chefia da DAE. A efetiva execução desses pontos demandam um tempo maior. Portanto, exige por parte dos estudantes um grande empenho em acompanhar e examinar esse processo. Pois só assim, iremos assegurar uma Assistência Estudantil de qualidade, necessária ao acesso e à permanência de muitos estudantes no Ensino Superior.

Nesta edição, o ALÔ!JAMENTO NOTÍCIAS traz duas novidades: a coluna da psicóloga do Serviço Psicossocial da UFV, Grasiela Gomide, que abordará assuntos referentes à vida e ao convívio nos alojamentos. E a criação de um espaço literário e opinativo, destinado à publicação de textos dos moradores.

A data da reunião para discutirmos os temas da próxima edição será divulgada nos murais dos alojamentos. Contamos com a participação de todos para construirmos um jornal cada vez mais democrático.


Escrito por Redação às 19h05
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REPÚBLICAS
Você já caiu nessa "Ratoeira"?


Welington Gonzaga


Foto: Welington Gonzaga
Alguns dos integrantes da República Ratoeiras


O alojamento “PÓS” é composto por 36 apartamentos. Essas moradias possuem histórico e características particulares que atraem para si a atenção de todos. Através da adoção de nomes peculiares são fundadas repúblicas “tradicionais” que dão identidade a casa e aos seus moradores. Esse é o caso da “Ratoeiras”, que possui sete anos de existência e, não somente pela bagunça ou pelos eventos realizados, garante sua popularidade devido ao modo original de seus moradores encararem a vida. O apartamento 2021 (leia-se vinte-vinte-e-um) foi batizado de “Ratoeiras” em 1999. De acordo com Luís Fernando Couto, estudante de Engenharia Ambiental e atual morador da república, o termo “Ratoeiras” designa as arma-dilhas preparadas pelo destino e pelas mulheres.

O maior diferencial dessa república para as demais talvez seja por ela estar fora dos padrões considerados normais ou comuns. Uma simples conversa com algum de seus integrantes revela uma excentricidade temperada com bom humor. A esportiva nas brincadeiras permite uma engraçada interpretação de diálogos sempre em duplo sentido. Outro diferencial está nos eventos realizados na república. A localização afastada da área central do campus permite o som alto e a não interferência da vigilância. Para o estudante de Química Vinícius Caselato, as festas promovem diversão e, ao mesmo tempo, fundos para melhorar as instalações do apartamento - ação que deveria partir da universidade.

A “Ratoeiras” promove a integração e é digna de ser considerada uma república “tradicional”, pois desenvolve valores e costumes próprios que são transmitidos de geração a geração. E mesmo aqueles que se formam, continuam eternos “Ratoeiras”.


Escrito por Redação às 19h02
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EM FOCO
Domingo é dia de conversa


Elaine Nascimento


Depois de uma semana estressante, entre aulas, trabalhos e estudos; eis que chega o tão sonhado final de semana! Chegam os dias mais esperados: o sábado, dia da faxina, de cuidar do visual e se preparar para a balada! E, o domingo, dia de descanso. Dia de ligar para casa e compartilhar com a família as experiências vivenciadas ao longo da semana. O domingo é o dia de amenizar a saudade via telefone, desfrutando da comodidade oferecida pelos orelhões instalados dentro dos alojamentos.

Entretanto, o que deveria ser um alento para muitos moradores tem se transformado numa verdadeira maratona. Segundo o porteiro do “FEMININO” José Jozino Apolônio, “dia de domingo é muito concorrido: é um desce e sobe nas escadas, vai embaixo e vai em cima, vai aos outros orelhões do Campus”. Para a estudante de Bioquímica Tonielli Cristina, moradora do “FEMININO”, “dia de domingo fica congestionado, independente do horário, de manhã até a noite está sempre cheio”. A busca por um telefone público é tão intensa que, às vezes, é necessário ir até a cidade para conseguir ligar para casa, como conta o morador do “PÓS” Flávio Lopes da Silva.


Foto: Elaine Nascimento
Linhas ocupadas se tornam cada vez mais comuns


Os alojamentos da UFV abrigam uma população de 1.382 estudantes e disponibilizam em suas dependências 34 orelhões. O “FEMININO”, com 290 moradoras e sete telefones públicos; o “NOVO”, com 184 moradoras e cinco telefones; o “VELHO”, com 112 moradores e cinco telefones internos e dois nas proximidades; o “PÓS”, com 360 moradores e oito telefones; e o “POSINHO”, com 180 moradores e quatro telefones públicos.

Para alguns moradores, este número de aparelhos é insuficiente, como afirma a estudante de Agronomia Isabel Dayane de Souza, moradora do “NOVO”. Ela relata que muita gente procura telefonar também durante a semana, no período noturno. De acordo com o morador Flávio Lopes, uma solução possível seria a autorização para que os moradores instalem linhas telefônicas particulares em seus apartamentos, ficando estas sob suas responsabilidades.

Já para o estudante de Agronomia Vitor Hugo Bruneli, morador do “POSINHO”, a quantidade de aparelhos é suficiente e o problema ocorre em alguns horários, principalmente à tarde e à noite, devido a uma promoção oferecida por uma operadora de celular. Através dela pode-se ligar de graça dos telefones públicos para fixos e, com isso, alguns moradores chegam a ficar até duas horas numa ligação.

Os telefones públicos são, para muitos moradores, o único meio de comunicação com as suas famílias. Para Cristiani Costa, do “VELHO”, “é complicado a pessoa ficar muito tempo no orelhão dentro do alojamento, pois é aquele número que as famílias têm e em caso de emergência é nele que vão ligar”.

O movimento nos orelhões aos domingos reflete sua importância para os moradores. Contudo, alguns moradores têm utilizado intensamente os orelhões, comprometendo a utilização por parte dos demais. Essa informação é confirmada pelo Sr. Ilaércio Rodrigues da Silva, porteiro do “PÓS”. Para ele, essa promoção tem movimentado bastante os orelhões, mas que, “fora isso”, movimento similar, “só no Dia das Mães!”.


Escrito por Redação às 18h59
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UTILIDADE PÚBLICA
Divisão de Saúde expande atendimento na UFV


Priscilla Almeida


A Divisão de Saúde (DSA) é um órgão da Universidade Federal de Viçosa (UFV), subordinado à Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários, responsável pela coordena-ção e execução de todas as atividades relacionadas à saúde da comunidade universitária. Nela, são atendidos gratuitamente professores, funcionários e estudantes da UFV( moradores ou não dos alojamentos), bem como seus dependentes.


Foto: Priscilla Almeida
A Divisão de Saúde atende, em média, 300 pessoas por dia


Os serviços oferecidos são nas áreas de clínica geral, odontologia, nutrição, fisioterapia e psicologia. Além disso, funcionam na Divisão de Saúde a Medicina do Trabalho e a Junta Médica da UFV. Para dar suporte a esses serviços, a Divisão possui laboratório de análises clínicas, raio x e setor de enfermagem. Os recursos utilizados na DSA são provenientes da própria Universidade, como por exemplo o da “Taxa de Saúde”, a qual é descontada do pagamento de professores e servidores e que gera, segundo a chefe da Divisão de Saúde, Sylvia Franceschini, R$18.900,00 a cada três meses para a Divisão. Além dessa quantia, são cobradas pequenas taxas para exames laboratoriais e para serviços que necessitam de gasto com material de consumo, como por exemplo, pagamento de anestésico e resina em tratamentos odontológicos. Os estudantes de toda a universidade que possuem Bolsa-Atividade pagam metade do preço para qualquer taxa cobrada.

A Divisão de Saúde conta com 45 funcionários servidores da UFV, 11 funcionários contratados pelo Instituto de Seguridade Social da UFV (AGROS), 14 bolsistas-atividade e uma ambulância (em parceria com o Corpo de Bombeiros do campus). A Divisão atende atualmente, em média, 300 pessoas por dia, a maioria estudantes. Para ser atendido, basta apresentar a carteirinha de estudante na portaria da DSA, em caso de urgência ou para marcação de consulta, as quais ocorrem no mesmo dia, no período da tarde, ou no próximo dia, no período da manhã.

O estudante de Engenharia Elétrica da UFV, Douglas Alexandre Pedroso, morador do “VELHO” já foi atendido muitas vezes na Divisão de Saúde. Consultou com dentistas, fez exames de rotina e radiografia. Para ele, o atendimento é muito bom, pois os funcionários são muito atenciosos. No entanto, ele aponta uma deficiência no tratamento odontológico que é o fato de serem oferecidos somente tratamentos mais simples. “Mas de resto, é tudo nota dez”, ressalta ele. Para a estudante de Economia Doméstica da UFV, Daniela Ceccon, que já foi atendida quatro vezes na Divisão de Saúde, o único problema apontado foi a demora para a entrega do resultado de um exame feito por ela. No entanto, Daniela diz que gostou do atendimento e afirma “eles atendem bem a gente, explicam bem as coisas que precisamos fazer e são prestativos”. Ainda de acordo com a estudante, várias pessoas que ela conhece foram atendidas na DSA e ninguém nunca teve reclamações quanto ao atendimento.

Para a chefe da Divisão de Saúde Sylvia Franceschini, a meta é que a DSA seja responsável por todos os acontecimentos ligados à saúde que ocorram dentro do campus. “Tudo que está dentro da universidade, relacionado a essas questões, eu quero que a Divisão de Saúde seja a referência”, afirma Sylvia.

SERVIÇO - Os telefones da Divisão de Saúde são 3899-2339 e 3899-2536. O horário de funcionamento é de 7h às 19h. A DSA fica localizada no Campus da UFV, próximo à Escola Effie Rolfs.


Escrito por Redação às 18h54
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COTIDIANO
Esse ser estranho chamado calouro


Vagner Ribeiro
Victor Godoi


“Calouro burro! Vai morrer calouro!”
Para quem mora em alojamento, seja calouro ou veterano, essas são frases rotineiras. Calouros. Caracterizados por suas reluzentes carecas e olhares esbugalhados de medo (ou talvez de sono), os calouros estão por aí, ano após ano, para trazer alegria - e raiva - à vida de seus veteranos.

Muitas vezes, a simples idéia de morar no alojamento vem acompanhada de expectativas não muito consoladoras. São muitos os mitos e histórias que cercam os alojamentos. Muitos deles são falsos, outros só os moradores podem dizer... O principal desses mitos envolve o trote, assunto polêmico na UFV. Assim como a recepção dos cursos, a recepção aos calouros no alojamento possui algumas particularidades que não são bem vistas pela administração. Muitos apartamentos vêem o trote como uma de suas principais tradições, possuindo um caráter ritualístico de “batismo” do calouro. Mas há também aqueles que não fazem questão desse tipo de recepção, ou de manutenção de tradições na casa.

Em vários apartamentos são os calouros os responsáveis pela limpeza da casa. Para muitos, será a primeira vez que estarão fazendo faxina, cozinhando ou lavando a roupa. Os resultados podem não ser os melhores no começo, mas logo toma-se jeito nas atividades domésticas, o que contribui, entre outras coisas, para que os calouros se tornem pessoas mais organizadas. E, apesar de toda a amolação com os mandos e desmandos dos veteranos, essa fase é fundamental para a interação dos novos moradores com os membros mais antigos da casa.

A variedade de cidades de origem, os diversos cursos e a distância da família contribuem para que se desenvolva no alojamento um clima de companheirismo e de compartilhamento de histórias, emoções e conhecimentos que tornam a vivência no alojamento uma experiência única que se carregará para sempre.


Foto: Victor Godoi
Ritual do trote no alojamento


Escrito por Redação às 18h50
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ADMINISTRAÇÃO
DAE lança medidas para informatização dos alojamentos


Daniel Aroni


Desde Junho de 2006, junto às dependências da Divisão de Assistência Estudantil (DAE) da UFV, funciona o LID: Laboratório de Informática da Divisão. Com 15 computadores conectados à internet (doações da Caixa Econômica Federal e de departamentos e centros da UFV), o LID presta atendimento principalmente aos moradores de alojamento, contribuindo com a idéia da inclusão digital.

Oito bolsistas, coordenados pelo estudante de Ciência da Computação, Júlio Cesar Bueno e pelo Chefe da DAE, Jorge Luiz Martins, são os responsáveis por monitorar e orientar os usuários do LID. Quem não é morador, mas é estudante regular ou funcionário da UFV, também pode fazer uso do laboratório.

O Chefe da DAE explica que, mesmo com as doações em material realizadas, o investimento com sistema elétrico, memórias para os computadores e infra-estrutura básica da sala girou em torno de 15 mil reais. Esta quantia foi repassada pela UFV e pela própria DAE com base nos aluguéis dos alojamentos para eventos específicos. Além disso, Martins destaca que a manutenção do LID demanda muito dinheiro, sendo gastos em média mil reais por mês.

Em 20 dias de funcionamento, foram registradas cerca de 1700 consultas aos computadores do LID, número que supera as expectativas da chefia da DAE. Julio Cesar, o coordenador técnico do projeto, confirma o sucesso, explicando que um dos principais motivos para tamanha procura é o site de relacionamento “Orkut”, até então disponível na sala. Ele considera ultrapassados os computadores do LID, mas não ruins, podendo ser eficientes para o acesso à internet e edição básica de texto, objetivos do laboratório.

Vanderson Scherre Gomes, estudante de Geografia e morador do alojamento “PÓS”, concordou serem muito boas as instalações da sala. “Para a gente que mora em alojamento, necessita do computador, ficou excelente!” completa ele. A também estudante de geografia, Renata Janaína do Carmo, moradora do “VELHO”, concorda sobre a importância do LID para os moradores, mas afirma que a definição do local para a construção de novos laboratórios deve advir de muita reflexão por parte da DAE, para que salas de estudo ou quartos de moradores não sejam ocupados. Além disso, a estudante gostaria que o tempo de uso dos computadores fosse ampliado: “se o objetivo do laboratório é o de consulta, de ajuda aos moradores, acho que os 15 minutos não são o tempo ideal.”

Estão em fase de acabamento mais três laboratórios, sendo que dois estarão localizados no alojamento “PÓS” e um no “POSINHO”. Negocia-se também a construção de um laboratório no “FEMININO”. O Chefe da DAE adianta que haverá um abandono do sistema operacional Windows e que, em breve, serão ministrados cursos gratuitos do sistema Linux, tanto para moradores quanto demais estudantes e funcionários da UFV.


Escrito por Redação às 18h48
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FONTES DE ENERGIA
Chuveiro quente, chuveiro frio...


Kamila Bebber


Os alojamentos da UFV possuem quatro tipos de fontes de captação de energia que esquentam a água do chuveiro: a caldeira do “VELHO” e do “FEMININO”; a energia elétrica convencional do “NOVO” e do “NOVÍSSIMO”; e a energia solar, junto com a elétrica, no “PÓS” e no “POSINHO”.

As primeiras fontes de energia da Universidade foram as caldeiras, situadas uma ao lado do “VELHO” e outra ao lado da Tecnologia de Alimentos. Trata-se de uma fonte de energia que precisa de um detalhado e custoso serviço de manutenção. Suas instalações são antigas e seu desgaste é muito rápido, com alto índice de corrosão dos canos, além de se usar uma quantidade muito alta de madeira a ser queimada para alcançar a demanda dos moradores dos alojamentos, um gasto acima dos 200 mil reais por ano em consumo. Com isso, para alimentar as caldeiras é necessário utilizar uma grande área de plantio voltada para a atividade do corte da madeira.


Foto: Daniel Aroni
Caldeiras exigem manutenção constante


A água quente tem hora para chegar nos alojamentos abastecidos pela caldeira. A estudante do terceiro período de Letras, Denise Giarola, moradora do “VELHO”, diz que “tem água quente só a partir das cinco horas da tarde e só dura até a noite. No inverno fica difícil, porque todo mundo na nossa seção estuda à noite, e os banhos têm que ser rápidos. De dia, banho só gelado. No fim de semana tem água quente o dia todo, mas poderia ter horários alternados para abrir a caldeira nos outros dias pra gente”.

O “NOVO” e o “NOVÍSSIMO” contam com um tipo de energia de um setor que atualmente anda a beira de um colapso. A energia elétrica, gerada pela força hidráulica, tem ficado cada vez mais cara devido ao aumento do consumo de água nas residências, nas indústrias e no setor agrícola. A população desses alojamentos convive com piques de luz, pois esses prédios são totalmente abastecidos por uma alternativa energética que vem se mostrando inviável e custosa para a Universidade.


Foto: Daniel Aroni
Grande demanda diária de madeira para aquecer a água


A principal fonte de energia do “PÓS” e do “POSINHO”, tem a seu favor o fato de ser renovável e vantajosa financeiramente ao longo prazo. As instalações dos painéis solares e do sistema de transformação de energia solar em elétrica são caras, mas os resultados são compensatórios, por se tratar de uma energia limpa e não-predatória. De acordo com o chefe da Divisão de Assistência Estudantil (DAE), Jorge Luiz Martins Rezende, a mais vantajosa fonte de energia é a solar. Há um estudo para se mudar as captações de energia dos alojamentos para esse sistema, mas falta incentivo financeiro para uma mudança custosa de sistemas de transformação de energia.

Por outro lado, alguns moradores reclamam que a energia solar não tem sido compensatória. O estudante de Agronomia, José Adinan Souza, morador do “POSINHO”, afirma que “geralmente a partir das sete horas da noite não tem mais água quente, o banho tem que ser gelado. Desde o ano pas-sado tem esse problema e esse ano se repetiu. Foi exposto para a Divisão, mas eles não dão nenhum parecer pra gente. O que a gente ouviu é que foi erro no projeto na tubulação, mas a gente queria, no mínimo, esclarecimentos. Se for pra economizar energia tomando banho frio, não precisa ter fonte de energia solar”. Questionado sobre os problemas, o chefe da DAE disse que o defeito está na tubulação e não teve nada a ver com o sistema. Diz ainda que não tem como se evitar problema desse tipo. “Estamos trabalhando com quase trezentos apartamentos e todo dia estoura cano. Não tem previsão pra isso”, explica Rezende.

Enquanto isso, os chuveiros dos alojamentos também não têm previsão se vão ficar quentes durante o resto do inverno.


Escrito por Redação às 18h44
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EDITORIAL
De volta à ativa


Após um período de reestruturações, de reformulação gráfica a aumento da equipe, o jornal se tornou agora projeto de extensão, vinculado ao curso de Comunicação Social e ao Departamento de Artes e Humanida-des, sob apoio financeiro do Centro de Ciências Humanas da UFV.

E por ganhar caráter extensionista, o projeto pretende consolidar, com efetiva participação dos moradores, um informativo comunitário. Para tanto, na próxima edição, contaremos com uma grande novidade: você poderá definir as matérias a saírem no jornal. É só comparecer à nossa próxima reunião de pauta no dia 11 de Agosto, às 19 horas, no PVA 134. Sua presença será de fundamental importância para que assuntos de seu real interesse sejam estampados em nosso jornal.

O Alô!jamento Notícias visa ser um meio de comunicação democrático, disposto a ouvir tanto a administração dos alojamentos quanto os moradores. Só quem está em contato direto com os alojamentos sabe dos reais problemas que enfrenta. Portanto, colabore com a gente! Ou você acha que as coisas estão boas do jeito que estão?


Escrito por Redação às 18h39
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ENQUETE
O que você achou do Alô!jamento Notícias?


Foto: Reyner Araújo“Achei muito importante a iniciativa. Espero que sirva para que nós, moradores, possamos ser ouvidos e também parabenizar a administração nas horas devidas.”
Georges D. Alexandris Castro
Bioquímica • Novíssimo • 213





Foto: Reyner Araújo“É uma boa iniciativa. Às vezes, poderia ser direcionado para outro público, ao invés de só o nosso povo aqui.”
Maurício de Almeida Gonçalves
Zootecnia • Pós • 2012





Foto: Reyner Araújo“Achei muito bacana a idéia pra gente saber o que acontece no alojamento. Acho que, principalmente, vocês deveriam ouvir a galera.”
Josiane Coutinho Silva
Geografia • Novo • 611





Foto: Reyner Araújo“Com o jornal, o outro lado pôde ser mostrado. A gente estava mesmo precisando de um espaço como esse.”
Elaine C. do Nascimento
Jornalismo • Feminino • 206





Foto: Reyner Araújo“Tem muita gente alienada, que vive nesse mundo de alojamento e, às vezes, tem até vergonha de viver aqui. Acho essencial estar divulgando e esclarecendo como é a vida nos alojamentos.”
Andrea Procópio Lourenço
Letras • Velho • 1114





Foto: Reyner Araújo“O jornal é um importante veículo para os moradores. É importante a parte dos classificados, que ajuda a divulgar trabalhos de renda extra.”
Felipe Luís Santiago
Economia • Posinho • 1739


Escrito por Redação às 18h33
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PERFIL
Dona Santa


Kamila Bebber


Maria das Graças Cruz, a Dona Santa do alojamento Feminino, é uma figura bem conhecida entre as moradoras e também muito querida. Viçosense nata, Dona Santa completará trinta anos de trabalho no Feminino no dia 2 de outubro.


Foto: Kamila Bebber
Dona Santa: cuidando do Feminino


Dona Santa conseguiu o emprego por meio de concurso, tendo começado como faxineira e depois trabalhado na portaria. Seu turno é das 8h às 12h e das 14h às 16h, mas ela afirma que acaba ficando o dia inteiro no alojamento, inclusive almoçando ali mesmo. Dona Santa diz que não consegue se ver em qualquer outro trabalho fora do ambiente do alojamento - "Se me tirar daqui, acabou. Eu não tenho condições psicológicas para ir pra outro setor. Se tiver que sair, eu aposento logo".

Essa identificação com seu trabalho e o carinho com que trata todos tem respaldo nas moradoras do Feminino. “Ela vai muito além de ser uma simples funcionária do alojamento. Ela realmente se preocupa com as moradoras, é meio que uma mãe substituta para as que moram aqui há mais tempo.", diz Roberta Dias Freitas, moradora do quarto 101 do Feminino. Roberta ainda afirma que ela recebe muito bem as novas residentes do alojamento, como comprova a caloura Vívian Oliveira Tavares, colega de quarto de Roberta: "Eu entrei há pouco e parecia que ela já me conhecia há muito tempo, não fazendo distinção nenhuma entre a gente. Ela é um amorzinho."


Escrito por Redação às 18h20
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EM FOCO
Por onde anda o Nilo?


Daniel Aroni


Foto: Daniel Aroni
Nilo Paixão, ex-chefe da DAE, em seu novo trabalho


Quem morou em alojamento no período de 1996 a início de 2005, com certeza já ouviu falar ou mesmo se deparou com o Nilo, Chefe da DAE até então. Conhecido pelo seu bom relacionamento com os moradores e pelo trabalho que realizou enquanto chefe, Nilo Sérgio da Paixão hoje está trabalhando na Divisão de Eventos (DEV) da UFV. Nilo diz estar satisfeito e gostando de seu novo trabalho por ser um lugar tranqüilo, com pessoas de fácil convivência. Na DEV, Nilo está encarregado da parte de patrimônio e controle de equipamentos.

O ex-chefe da DAE disse que sente falta do ambiente de comunidade dos alojamentos e que a relação “de pai para filho” que mantinha com os moradores explica a admiração conquistada. “Mereceu doce, ganha doce. Mereceu palmada, leva palmada”, brinca Nilo.

Ele julga como boa a assistência estudantil da UFV, ao considerar que o governo não enviava verbas para este fim durante o seu mandato. Mas enfatiza que há muito o que melhorar com relação às condições físicas dos alojamentos e ao número de bolsas-atividade.

Sobre a saída da DAE, Nilo acredita que o seu envolvimento político, ao ter apoiado - em 2004 - o então candidato Luís Cláudio para reitor, pode ter contribuído para sua exoneração. No entanto, destaca que ninguém lhe falou diretamente que este fora o motivo.

Como dica para a atual chefia da DAE, Nilo salienta que para trabalhar com estudantes é preciso muita paciência, sempre estar atento aos acontecimentos e, principalmente, saber ouvir. “Se você tratar bem, estas pessoas vão ter em você a figura de alguém da família”, finaliza Nilo.


Escrito por Redação às 18h15
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FIQUE POR DENTRO
MEC lança a segunda versão da reforma universitária


Kamila Bebber
Priscilla Almeida


A primeira versão da Reforma Universitária (lançada em dezembro de 2004),que visava a uma série de modificações no sistema universitário vigente no país, obteve reações negativas de vários meios ligados à educação, inclusive de muitos estudantes. Isso se deve ao fato de, entre outros motivos não menos importantes, o texto lançado pelo Ministério da Educação (MEC) ter uma forte alusão à “mercantilização do ensino”, tirando do Estado a responsabilidade pelo financiamento da educação, abrindo assim, espaço para o investimento privado. Essa posição tiraria a autonomia acadêmica da Universidade, que ficaria voltada para o mercado, fazendo surgir um “capital universitário” vinculado a empresas. Tal questão, além de um questionável “Universidade para Todos”, fez, principalmente, com que a Reforma Universitária provocasse mais receios naqueles favoráveis a uma mudança no ensino superior.

No dia 30 de maio último, o MEC divulgou uma nova versão do anteprojeto da Lei de Educação Superior. Após muitas discussões relacionadas ao projeto original, mudanças foram efetuadas no texto anterior, que recebeu 121 emendas. Uma das metas do Ministério da Educação é que 40% do total das vagas do ensino superior brasileiro seja oferecido por instituições públicas até 2011. As principais mudanças, segundo o MEC, são: destinação de um terço das vagas das universidades federais para cursos noturnos; obrigatoriedade de auxílio a alunos carentes, tanto nos centros universitários particulares quanto nos públicos, sendo que nestes, 5% da verba de custeio deve ser destinado a tal fim; exclusão do percentual de reserva de cotas para alunos de escolas públicas, negros e índios; possibilidade dos Estados transformarem sua dívida com a União em financiamento da expansão da rede pública local de ensino superior; e exclusão dos conselhos administrativos e da necessidade de eleição direta de dirigentes das universidades públicas e privadas.

Mas o projeto ainda causa polêmica, principalmente em relação à possibilidade dos Estados trocarem sua dívidas por investimentos, o que está sendo criticado até mesmo dentro da cúpula do atual governo. De certa forma, deve-se perguntar se o país tem realmente uma estrutura econômica preparada para receber essa resolução.

O sistema universitário brasileiro precisa ser reformado. Mas não somente ele, e sim todo o sistema educacional. Muitos questionam essa reforma que começa “de cima”, e não do ensino básico, o que tornaria a educação mais sólida. Será que o Brasil tem uma estrutura – política, social, econômica – que absorva o que a Reforma visa? O projeto está indo por uma caminho acessível?

Essa segunda versão da Reforma dividiu opiniões entre educadores, sindicatos e União Nacional dos Estudantes (UNE). O assunto é complexo e passível de interpretações simplistas. O novo anteprojeto ainda será analisado pela equipe econômica do governo e ficará disponível para consulta pública durante o mês de junho. Posteriormente, será reescrito e enviado ao presidente Luís Inácio Lula da Silva. Caso receba o aval deste, a previsão é de que o projeto da Reforma Universitária seja votado no Congresso no segundo semestre deste ano.


Foto: Welington Gonzaga
5% da verba das federais deverá ser destinado para assistência estudantil


Escrito por Redação às 18h09
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EDITORIAL
Seguindo em frente


Os temas da matéria de capa desta edição – experiência e aprendizado – estão presentes também no processo de elaboração do Alô!jamento Notícias. Através dos relatos, e-mails e contato com vocês, moradores dos alojamentos da UFV, estamos procurando fazer um jornal informativo, diversificado e, acima de tudo, democrático. E com isso, temos aprendido muito.

A primeira edição obteve resultados positivos em relação às propostas definidas, bem como uma boa receptividade do nosso público. E foi pensando nesta receptividade que fizemos a enquete da última página. A pedido de moradores, realizamos uma matéria com o ex-chefe da Divisão de Assistência Es-tudantil (DAE), Nilo Paixão. E criamos uma nova seção – Perfil – na qual será enfocada a vida das pessoas envolvidas com os alojamentos, tanto moradores quanto funcionários.

Neste número, estamos contando com um novo apoio, o da DAE, e esperamos conquistar cada vez mais pessoas interessadas neste projeto. Por isso, sua participação é fundamental. Não deixe de manifestar suas idéias, desejos, insatisfações e talentos. Nosso objetivo é ser um meio de comunicação entre os alojamentos e, principalmente, um veículo de expressão voltado para os moradores. Voltaremos em agosto. Boas férias a todos.


Escrito por Redação às 18h06
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MORAR EM ALOJAMENTO
Uma experiência de aprendizado e convivência


Priscilla Almeida
Welington Gonzaga


Morar longe da família e com pessoas desconhecidas. Esse é o desafio inicial dos quase 1400 moradores de alojamento da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Vencida a burocrática etapa de concessão da bolsa-moradia, o alojamento passa a ser o lar de vários estudantes por, em média, cinco anos.

A realidade de morar no campus universitário é vista positivamente com relação à proximidade da Biblioteca Central, do Restaurante Universitário, dos pavilhões de aula e dos departamentos dos cursos. Por passarem grande parte do seu tempo juntos, a integração entre moradores do mesmo quarto ou seção é favorecida. Porém, o entrosamento de um alojamento com o outro é menor. O “Velho” é considerado o de maior união, uma vez que a maioria dos moradores se conhece. Essa harmonia acaba por facilitar a adaptação dos moradores e, segundo Vanessa Braga, estudante de Geografia e moradora do “Velho”, quanto maior a amizade entre as pessoas, maior também a semelhança do seu lar temporário com a sua própria casa.


Foto: Welington Gonzaga
"Velho", apontado como o alojamento de maior integração


É um período de aprendizado em que a convivência amigável é essencial. Embora haja a vantagem da moradia ser gratuita, a falta de privacidade é a maior dificuldade encontrada. Para a estudante de História, Janaína da Silva, moradora do “Velho”, “é difícil dividir quarto com três pessoas, mas quando se tem respeito e afinidade, não tem problema”. Por passar pela mesma dificuldade, Ricardo Costa, estudante de Educação Física e morador do “Novíssimo”, acredita que seria melhor se nos quartos houvesse um número menor de pessoas, mas isso prejudicaria muitos estudantes, que não teriam onde ficar.

Algumas dificuldades relatadas variam de acordo com o alojamento. O banheiro fora do quarto, por exemplo, é motivo de insatisfação para as moradoras do “Velho”, assim como o mau estado de conservação do prédio. A ausência de uma parede que realmente isole o quarto da bancada de estudos desagrada moradores do “Novo”, “Novíssimo” e “Feminino”, o que, inclusive, dificulta a convivência nos apartamentos. “Às vezes, você quer dormir, outra pessoa quer ver televisão e outra quer ouvir música. Uma pessoa está sempre atrapalhando a outra”, relata Jane Cota, estudante de Geografia, que reside no “Novo” há quatro anos e meio. No “Pós”, a mais recente reclamação de alguns moradores é a falta de água quente durante a noite, que passou a ocorrer depois da instalação de um sistema de aquecimento solar. De acordo com o chefe da Divisão de Assistência Estudantil (DAE), Jorge Rezende, “a empresa responsável pela instalação já foi convocada a solucionar o problema, que é técnico”.

Outra desvantagem apontada pela maioria dos moradores é o processo de entrevistas para conseguir vaga em um apartamento. As reclamações se dão pelo fato das entrevistas serem cansativas, inclusive muitas delas se realizam em horários tardios. Além disso, muitos estudantes têm que percorrer vários apartamentos até conseguirem um lugar que os aceite.

Na maioria dos casos, a bolsa-moradia é a única alternativa para os estudantes se manterem na universidade. Mas é devido às dificuldades pelas quais passam, que os mesmos correm, com mais afinco, atrás das oportunidades – como participação em tutoria, projeto de extensão e iniciação científica.

Por viverem direto no campus universitário, muitos moradores acabam ficando à parte dos acontecimentos da cidade, sentindo-se até mesmo sufocados por “respirarem o ar acadêmico” durante todo o dia. É o caso de Denise Moraes, bacharelanda em Geografia, que devido ao fato de morar no campus, acredita ser a todo momento lembrada da sua condição de estudante.

Com todas as dificuldades e seus desafios, morar em um alojamento proporciona aos estudantes a experiência única de conhecer e conviver com diferentes pessoas. Desta maneira, aprendem a lidar com situações inusitadas que poderão ser válidas por toda a vida.


Escrito por Redação às 18h04
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ENTREVISTA
Jorge Luiz Martins Rezende


Welington Gonzaga
Reyner Araújo


Foto: Welington GonzagaJorge Luiz Martins Rezende, radicado em Viçosa há 28 anos, é natural de Ervália (MG) e desde Janeiro de 2005 ocupa a chefia da Divisão de Assistência Estudantil (DAE), onde trabalham outros 56 funcionários da UFV. Ligada à Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários, a DAE é o órgão responsável pelo amparo aos estudantes através de bolsas alimentação e moradia. Jorge Luiz falou, entre outros assuntos, das dificuldades encontradas no dia-a-dia, dos planos para os alojamentos e do seu relacionamento com os moradores.

AN – Quais os maiores obstáculos encontrados ao se assumir um cargo que exige tamanha responsabilidade?
Jorge – As dificuldades são muitas. A Universidade passa por uma escassez de mão-de-obra que dificulta a manutenção dos alojamentos e a assistência aos moradores. Se você necessita de algo precisa encaminhar ao pró-reitor e, caso seu pedido não seja atendido, é preciso solicitar a outra pessoa que possa ajudá-lo. Existem problemas que estão acumulados, mas não podemos culpar ninguém. A gestão anterior possuía os mesmos problemas que eu possuo hoje. A falta de recursos, manutenção e gente são problemas antigos. O principal problema pelo qual todos passam é a falta de dinheiro. O antigo chefe fez um serviço muito humano e social, mas vejo que os alojamentos precisam de muitas reformas. Estou animado pra mexer com esse tipo de coisa, para estruturar e organizar melhor os alojamentos. O “pós” e o “posinho” estão com problemas de vazamento de água; o “velho” está com a pintura muito velha e com quartos muito apertados. Quero melhorar isso, pois as condições estão meio subumanas.

AN – Então as propostas da sua administração estariam relacionadas com a melhoria das condições dos alojamentos?
Jorge – Quando assumi esse cargo tinha um plano próprio, mas assim que cheguei me deparei com um projeto elaborado pelos próprios moradores dos alojamentos, juntamente com o DCE. Intitulado de “Relatório do Plano de Ação para os Alojamentos”, foi escrito em 2002 e, ao analisá-lo, notei que as reivindicações feitas naquele ano são as mesmas de hoje. O fato é que há um descaso com a limpeza, com a segurança e com a manu-tenção dos prédios. Tudo que está no relatório se tornou então meu plano de ação. Acabo me orientando por ele. E se eu conseguir concluir 50% de tudo o que ele contém, estarei com a minha consciência tranqüila.

AN – O alojamento feminino está passando por uma reforma. Há previsão para a reforma de mais algum outro alojamento?
Jorge – Uma das prioridades na nova administração é a manutenção dos prédios existentes ao invés de construir novos. Há o planejamento para novas reformas, entretanto, mais uma vez, nos deparamos com a questão da falta de recursos. Os prédios, por serem antigos, são patrimônios da Universidade e precisam não de reforma, mas de restauração. O custo desse tipo de trabalho é muito elevado. Os trabalhos só não começaram devido à falta de recursos, mas enviamos recentemente um projeto para o MEC, avaliado em aproximadamente três milhões de reais, que seriam destinados à reforma dos alojamentos. Porém, até agora não obtivemos res-postas.

AN – Existe uma comissão formada pelos moradores de alojamento, a CMA. Como é o relacionamento da DAE com a CMA?
Jorge – A relação é muito boa. Sempre ouvimos o que a CMA tem a nos dizer. Às vezes fazemos reuniões e, embora seja difícil reunir todos os membros de uma vez, sempre nos falamos. Eu procuro ouvir e atender, dentro do possível, a todos os moradores. Quando os moradores querem reivindicar alguma coisa pode ser através da CMA ou diretamente comigo, pois muitos moradores desconhecem a existência da comissão. Mas mesmo assim eles têm suas atividades. Na recente reforma do alojamento feminino, por exemplo, eles me auxiliaram na acomodação dos calouros. Não podemos tirar os méritos da CMA.

AN – Nos alojamentos a quantidade de vagas para mulheres é inferior à quantidade destinada aos homens? Como é feita essa distribuição?
Jorge – Atualmente as vagas masculinas e femininas estão mais ou menos equiparadas. A tendência é aumentar a quantidade de vagas para mulheres e atender à realidade da UFV, pois ingressam na Universidade mais mulheres do que homens. Como não planejamos novas construções, há a tendência de alguns alojamentos se tornarem femininos, mas ainda não está nada definido. Ainda temos de fazer um estudo para isso. Assim como a seção 12 do “velho” já foi transformada em feminino, dentro do possível, a seção 13 pode se transformar. Estamos aumentando as vagas devagar, sem incomodar as pessoas que aqui já se encontram instaladas.

AN – Existe uma verba fixa destinada à manutenção dos alojamentos?
Jorge – Isso é um assunto problemático. Quando necessitamos urgentemente de algo que a Universidade não pode nos oferecer, temos que recorrer a outros setores. Por exemplo, estamos com 25 bebedouros danificados e não temos verbas para consertá-los. Precisamos de pessoal especializado, mas não temos como pagar. A única alternativa é improvisar.

AN - Como um dos idea-lizadores de um jornal para o alojamento, qual a importância desse veículo de comunicação para os moradores?
Jorge – Desde que cheguei à divisão sinto a necessidade de haver um jornal circulando entre os moradores. Precisamos de um veículo de comunicação com caráter informativo, onde se possa encontrar prestação de serviços, artes, literatura e tudo mais que for criado pelo morador do alojamento e que mereça destaque. O jornal pode servir como um meio de comunicação entre a divisão e os moradores e, também, dos moradores entre si. Pode ainda ser um meio através do qual os moradores possam fazer cobranças que venham a melhorar o dia-a-dia dentro do alojamento.


Escrito por Redação às 17h57
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DICA DE FILME
Albergue Espanhol


Kamila Bebber



Albergue Espanhol, de Cédric Klapisch


Quem já teve de sair de casa sabe a dificuldade de se encontrar de repente cercado de gente desconhecida, de se ver, pela primeira vez, fora de casa e perceber, enfim, que está por conta própria, tendo que tomar suas próprias decisões e arcar com as conseqüências. É sobre isso que trata o filme “Albergue Espanhol” (L’ Auberge Espagnole, 2002, direção de Cédric Klapisch).

Xavier (Romain Duris) é um jovem estudante francês que vai a Barcelona, na Espanha, para um curso de especialização em Economia, por meio do programa de intercâmbio da universidade, na tentativa de garantir um diploma espanhol e ter mais chances de conseguir um emprego em uma Europa unida. Cai então de pára-quedas em um país estranho, de idioma estranho, com gente estranha e ainda deixa para trás a namorada Martine (Audrey Tautou), na França. Enquanto estuda, divide um apartamento com vários outros estudantes de diversos países e dos mais variados temperamentos e culturas. Longe de casa, com saudades da namorada, estudando um curso para agradar ao pai e sendo parte de uma convivência forçada com vários tipos, o que aparentemente restava a Xavier era ou entrar em depressão ou enlouquecer. Mas o jovem francês vai aos poucos descobrindo Barcelona e seus colegas de apartamento, vivenciando uma experiência que não seria possível em seu mundo de expectativas prisioneiras.

“Albergue Espanhol” é simples, mas estranhamente complexo. Divertido, mas com pinceladas de melancolia. E familiar a qualquer pessoa que se sentiu perdida quando saiu de casa e finalmente se encontrou.


Escrito por Redação às 17h48
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EM PAUTA
"CPI" causa polêmica


Daniel Aroni


A suposta CPI do alojamento, que teve início em 16 de março e que está prevista para terminar em meados de maio, provocou polêmica e desconfiança entre os moradores de alojamento. De acordo com Jorge Luiz Martins, chefe da Divisão de Assistência Estudantil (DAE), o termo “CPI” é muito forte para denominar o levantamento patrimonial e o dimensionamento do gasto de energia, que estão sendo realizados. Segundo Jorge, tais medidas partiram, respectivamente, do Serviço de Patrimônio e da Gerência de Energia da Universidade e visam a um maior controle dos bens da UFV e a um futuro corte ou aumento no fornecimento de energia aos alojamentos.

José Atamaro, Cláudio Valério e Geraldo Magela são os agentes patrimoniais, incumbidos de ir aos quartos para, entre outros, tomar nota sobre os pertences da Universidade, que estão com ou sem identificação e sobre os pertences dos próprios moradores. José Atamaro afirma que foram colocados avisos nas portarias dos prédios, informando a data do levantamento. Além disso, para que os inventariantes possam entrar é necessária a presença de, pelo menos, um residente do apartamento e de um membro da CMA. Contudo, mesmo quando este membro era ausente, os agentes patrimoniais tiveram que prosseguir com o trabalho.

O chefe da DAE esclarece que nunca tinham sido feitos, de forma séria, um levantamento patrimonial e um dimensionamento do gasto de energia. Garantiu que não vai tomar nenhuma medida drástica frente à realidade encontrada. Para ele, o que aconteceu também não foi vistoria. Esta deve ser realizada ainda este semestre.

Para Walkíria Maria de Freitas, moradora do Aloja-mento Novo, apto. 513, a “vistoria” em alojamentos femininos deveria ser aplicada por mulheres e não por homens. Já Rodrigo Stefani de Sousa, morador do Novíssimo, apto. 334, considerou o levantamento como uma coisa boa. Walkíria e Rodrigo, entretanto, reclamaram da falta de avisos, na portaria de seus prédios e da falta de explicações sobre as razões de tal ato.


Escrito por Redação às 17h43
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FIQUE POR DENTRO
Você conhece a CMA?


Daniel Aroni
Kamila Bebber


A Comissão de Moradores de Alojamento (CMA) é um órgão de representação e ligação do conjunto de moradores de alojamento à Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários. Sua legalidade se baseia na Resolução 01/98, que regulamenta o alojamento, exatamente na Seção IV, Art. 16. É uma entidade independente, formada por também moradores universitários, que acreditam na mobilização conjunta como forma de preservar os direitos relacionados à assistência estudantil. Sua sede encontra-se no porão do Centro de Vivência, e está aberta à visita e participação de moradores – ou a qualquer um que queira simplesmente conhecer a Comissão.


Foto: Daniel Aroni
Cristina, Emanuel e Solange: membros da CMA


Muitos estudantes, até mesmo moradores de alojamento, nem mesmo sabem que a CMA existe, ou, se sabem, não conseguem dizer qual sua finalidade. Segundo os representantes da CMA, isso, em parte, é devido a uma certa perda de visibilidade frente à anterior atuação da Divisão de Assistência Estudantil (DAE). O aluno e morador, ao procurar a DAE, tinha as suas queixas – pelo menos a princípio – atendidas e resolvidas; então, não via necessidade de requerer algo ou de ser representado. Outro ponto que contribui para essa pouca visibilidade é a atual falta de rotatividade dos membros da CMA – as questões têm ficado centradas basicamente em torno de um mesmo grupo. Frente a isso, é pretendida, para logo, a eleição de novos integrantes.

Devido ao número reduzido de representantes, muitas vezes as ações da CMA não são amplamente divul-gadas. A maior parte das informações são transmitidas informalmente para os demais moradores. Apesar desta dificuldade, os integrantes da Comissão promovem festas, como o “Arraiá CMA”, para arrecadar fundos em prol dos moradores de alojamento.

Tratando-se de divulgação de informações, os representantes da Comissão indicam que, atualmente, há falta de diálogo por parte da DAE, não só em relação à CMA, mas aos próprios moradores de alojamento. Muitas questões não são debatidas e resoluções deixam de ser comunicadas aos moradores. Na Comissão de Moradores de Alojamento se decidiu que serão apoiadas todas as ações da Divisão de Assistência Estudantil que forem a favor dos residentes de alojamento. Mas a falta de diálogo só dificulta e causa mal-estar à situação.


Escrito por Redação às 17h40
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EDITORIAL
Comunicação a favor dos moradores dos alojamentos


A Universidade Federal de Viçosa (UFV) abrange, em seu Campus, seis alojamentos onde vivem aproximadamente 1400 alunos. Tais alojamentos foram nomeados de Pós, Posinho, Velho, Novo, Novíssimo e Feminino. Eles são os lares temporários de estudantes de várias regiões do país. Trata-se de uma verdadeira cidade, com os seus diferentes costumes e manifestações. Portanto, tornou-se evidente a necessidade de se estabelecer um meio de comunicação e informação entre estes alojamentos e seus moradores. Para isto, nós, estudantes de Comunicação Social da UFV, com o apoio da Comissão dos Moradores de Alojamento (CMA) criamos um jornal comunitário.

Por meio de um periódico mensal, haverá a publicação de conteúdo jornalístico, artigos e entrevistas. É válido salientar o caráter participativo que o jornal terá. Os moradores poderão ver publicados os seus textos, suas reclamações, seus anúncios, entre outras contribuições.

Para a publicação deste primeiro exemplar, deparamo-nos com muitas dificuldades e contratempos. No entanto, a vontade de tornar esse projeto uma realidade foi maior que os obstáculos encontrados. Esperamos poder contar com a boa receptividade dos leitores e que estes venham a contribuir na construção das edições futuras.


Escrito por Redação às 17h35
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CAPA
Os erros e acertos da reforma do Alojamento Feminino


Priscilla Almeida
Reyner Araújo


Iniciada no final do ano passado e concluída em abril último, a reforma do Alojamento Feminino teve o objetivo de consertar algumas deteriorações de sua construção, o que beneficiaria as cerca de 300 moradoras. Entretanto, alguns contratempos como a demora na conclusão das obras e o arrombamento de alguns quartos geraram problemas para muitas estudantes ali residentes.


Foto: Reyner Araújo
Fachada externa: pintura nova


Desde a sua construção, há mais de 40 anos, o Alojamento Feminino nunca havia sido reformado. Em setembro de 2004, a reforma atual foi solicitada, e o contrato para a sua realização assinado em dezembro. A proposta inicial era de se reformar somente a parte hidrosanitária. No entanto, fez-se necessária a troca de azulejos e do piso dos banheiros. Posteriormente, também se realizou a troca de janelas e portas dos quartos, bem como a pintura interna e externa do prédio. Para essas etapas, não previstas inicialmente, foram assinados novos contratos, o que motivou a demora na conclusão das obras. As reformas custaram cerca de 200 mil reais, custeados com recursos da própria Universidade.

No final do ano passado, houve uma reunião com as moradoras do “Feminino”, na qual foi informado que o prédio ficaria pronto antes do início das aulas do atual semestre letivo. Contudo, quando as aulas começaram, a obra ainda não havia sido concluída e as moradoras foram remanejadas para os alojamentos “Velho” e “Novo”, sendo que algumas delas ficaram no “Hilton” e outras em moradias particulares fora da Universidade. Tal fato gerou constrangimento e insatisfação em muitas moradoras, que retornavam a seus quartos à medida que ficavam prontos - cerca de um mês após o início das aulas.


Foto: Reyner Araújo
Reformas no interior do prédio


Ainda nessa reunião, as moradoras foram alertadas sobre a obrigatoriedade da retirada de seus bens dos quartos, de acordo com os artigos 29 e 30 da Resolução 01/98, que aprovou o Regulamento da Divisão de Assistência Estudantil (DAE). A retirada não foi total e ocorreu o arrombamento de alguns quartos e o sumiço de alguns objetos pessoais das moradoras durante a reforma. As estudantes afetadas foram orientadas pelo Chefe da DAE, Jorge Luiz Martins Rezende, a entrarem com um processo interno para apuração dos fatos.

Outro contratempo foi a má colocação dos pisos dos banheiros que, ao não formarem o desnível correto, têm provocado o alagamento de alguns quartos. Este foi um dos motivos para Keliane Miranda Freitas, moradora do “Feminino” e estudante de Agronomia, afirmar que com a reforma o alojamento ficou “pior do que estava antes”. Já para a estudante de História, Fabiana Francisca Macena, também moradora do “Feminino”, “apesar dos transtornos, o benefício para as moradoras foi muito bom”.

De acordo com o Chefe da DAE, as empresas terceirizadas responsáveis pelas obras irão refazer o piso dos banheiros que estão com defeito.


Escrito por Redação às 17h16
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